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 Notícias

22/07/2011

Esgotos a céu aberto na orla denunciam descaso ambiental

Da Barra do Ceará até a Praia do Futuro, cena de poluição se repete e expõe a população a  uma série de doenças
Em praticamente toda orla marítima de Fortaleza, com 34km de extensão, esgotos à céu aberto podem ser vistos desaguando diretamente no mar. Além de expor a população a uma série de doenças, a prática ainda polui o meio ambiente.
Na Barra do Ceará, moradores se queixam de uma estação de tratamento que vai parar no Rio Ceará, acabando com o manguezal da área e matando os peixes. A cena pode ser vista nas proximidades da Rua Radialista José Lima Verde com Av. Cel Carvalho. “Aqui era um berço de tainha. Elas entravam para desovar, mas depois que colocaram essa estação acabou com tudo”, denuncia o pescador Francisco Marlon Castro, 38.
Zairton Cavalcante, 56, dono de embarcações de travessia, conta que toda a madeira fica podre e a manutenção tem que ser feita antes do tempo. Ele cita ainda que a Associação dos Pescadores, que antes contava com 50 barcos cadastrados, hoje só possui 12.
Jeovah Meireles, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que os dejetos que vão parar no Rio Ceará poluem e contaminam as águas, pois o excesso de nutrientes provoca a perda da biodiversidade, contamina os peixes e interfere na cadeia alimentar, prejudicando a produtividade pesqueira daquele ecossistema.
“Os impactos cumulativos são muito sérios, porque os manguezais provocam a base da produtividades dos mares”.
No Pirambu, nas proximidades da Rua Santa Elisa com Travessa Soberana, mais um esgoto à céu aberto pode ser observado. Nem mesmo a Av. Beira-Mar, um dos principais cartões-postais de Fortaleza, escapou. Em vários pontos da via, como próximo ao Náutico Atlético Cearense e na Estátua de Iracema, esgotos são vistos. Mais adiante, próximo aos estandes de venda de peixes, mais um esgoto chama atenção.
O pescador João Batista Nascimento, 44, reclama que o despejo de dejetos prejudica muito a área, causando doenças como micoses.
Na Praia do Futuro, outro enorme esgoto a céu aberto é visto nas proximidades da barraca Vira Verão. A área é bastante frequentada por banhistas e atletas do surf e kit surf. O comerciante Erwin Figueiredo, 37, frequenta o local há muito tempo e considera um desrespeito aos banhistas o despejo de dejetos.
Em se tratando de poluição da água (rio, lago, mar), a médica generalista Geórgia Carvalho destaca que existem alguns organismos patogênicos causadores de doenças, como as bactérias, que podem causar: febre tifóide, cólera e leptospirose. Os vírus podem causar hepatite A. Os protozoários – parasitas que ficam em águas contaminadas, podem causar amebíase e giardíase. A médica alerta que os esgotos trazem dejetos humanos que desaguados no mar podem causar várias doenças.
Apesar das denúncias que vem sendo feitas por populares e, inclusive pelo jornal, através de matérias como a publicada no último dia 3 de junho, nada de concreto foi feito para resolver o problema.
Em nota, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informa que está fazendo, através do programa de Despoluição da Orla Marítima uma vistoria que vai da Praia do Futuro até o Caça e Pesca. “O objetivo é identificar ligações clandestinas de esgoto em galerias e rede de drenagem pluvial”. Em junho deste ano, a Cagece já havia se comprometido em despoluir as águas dos mananciais urbanos e melhorar a balneabilidade das praias da cidade, através do projeto Despoluição dos Recursos Hídricos. A Companhia também prometeu, na época, melhorar a qualidade das águas da orla fortalezense com o projeto do Macrossistema de Esgoto.
Dos 31 pontos monitorados pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), 17 estão próprios para banho. A pesquisa se baseia na coleta de água de praia, realizada nas últimas cinco semanas. Lincoln Davi, gestor ambiental do órgão, informa que é comum, durante a coleta do material, técnicos flagrarem ligações clandestinas de esgoto em tubulações por onde deveria escoar exclusivamente águas pluviais.
Fonte: Diário do Nordeste

 

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