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 Notícias

27/07/2011

Sindiagua participa de seminário internacional sobre a luta contra a privatização da água na América Latina

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou, nos dias 20 e 21 de julho, o Seminário Internacional: Panorama político sobre estratégias de privatização da água na América Latina. O evento foi realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e contou com a participação do Sindiagua, representado pela secretária geral Linaide Cirspim. O Sindiagua foi uma das entidades pioneiras no País na luta contra a privatização da água.
O Seminário teve o objetivo de articular as experiências de luta contra a privatização da água na América Latina. Foram debatidos os atuais projetos em curso que visam a mercantilização da água em diferentes países, como Itália, Chile, Bolívia e Peru, além do Brasil, e diversos setores, como na mineração, agricultura, saneamento, entre outros. Participaram do evento cerca de 120 representantes de movimentos sociais, universidades, além de convidados do Brasil e de outros 13 países da América Latina, Europa e África.
"Precisamos envolver todos nesse debate. A população precisa se alertar e impedir qualquer tentativa de privatização”, alertou Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB.
Durante o evento foi apresentada a experiência ocorrida na Itália, onde um plebiscito foi realizado e 95% dos votantes disseram "não” à privatização da água no país.

Privatização ainda é uma forte ameaça
Nos dois dias do seminário, os participantes estudaram as estratégias capitalistas para o domínio da água e discutiram sobre a resistência dos povos em defesa da água como um direito humano. Uma constatação geral foi que o objetivo do capital é transformar a água numa mercadoria internacional para gerar lucro e acumulação privada ao capital. Esse processo se dá tanto pela apropriação das reservas estratégicas de águas superficiais e subterrâneas quanto pela privatização dos serviços de água.
Para Gilberto Cervinski, esse movimento do capital se legitima também pelo discurso da escassez e das secas e desastres ambientais. “Esse discurso ideológico usado pelas grandes empresas e pelos meios de comunicação tem sido instrumentos de ameaça, chantagem e convencimento para impor seus interesses sobre os povos. Inclusive, para estabelecer um novo conceito à água, que passa ter valor de mercado".
Os participantes latino-americanos e africanos trouxeram o relato de que experiências de privatização da água mostraram-se desastrosas, ineficientes e altamente prejudiciais aos povos de seus países. Altas tarifas, zonas de exclusão, baixa qualidade dos serviços e da água, interferência na produção de alimentos e contaminação das águas por venenos e resíduos industriais são os principais problemas enfrentados pela população. Países e regiões que viveram a experiência de privatização estão revertendo os processos para controle público.
Além da privatização do abastecimento de água, Cervinski revela que inúmeras táticas estão sendo adotadas, como a municipalização do setor, transferindo a responsabilidade aos municípios, como forma de pulverizar a negociação para mercantilização da água; leilões de hidrelétricas, concedendo por décadas o direito de exploração dos recursos hídricos; cobrança para uso das águas dos rios, por meio dos Comitês de Bacias; dentre outras formas. Setores como mineração, agricultura e saneamento são os que mais intervêm nesse sentido.
"Identificamos que o processo de privatização da água tem se acelerado, especialmente, depois da crise de 2008”, explica Gilberto, referindo-se à crise econômica mundial, iniciada nos Estados Unidos com a falência de grandes instituições financeiras. Cervinski destaca que esses processos envolvem grandes corporações internacionais, que perceberam na água um grande negócio.
Cervinski relembra que, com a intensificação das privatizações na década de 1990 no Brasil, a questão da água ficou ameaçada, "mas uma forte resistência dos movimentos fez com que as grandes empresas recuassem por um tempo”. Atualmente, o sistema de saneamento básico tem sido o mais atingindo pela privatização, especialmente nas grandes e médias cidades, elevando enormemente o valor das tarifas.

Fonte: MAB

Foto: Divulgação / João Zinclar

 

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