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 Notícias

26/03/2013

Confira entrevista com presidente do Sindiagua publicada em caderno especial do Jornal O Povo

Na última sexta-feira (22/03), o jornal O Povo, em caderno especial alusivo ao Dia da Água, publicou uma entrevista com o presidente do Sindiagua, Jadson Sarto. Dibulgamos aqui na íntegra a entrevista que também pode ser acessada no link http://mob.opovo.com.br/Edicao.aspx?pid=240

O POVO - Recife precisou fazer racionamento e há previsões de que Fortaleza também entre no processo de economia de água. Como avalia a situação da água hoje no Ceará e em Fortaleza? (A quantidade de água potável é satisfatória? O número de pessoas com acesso a água potável melhorou nos últimos anos ou está alarmante?)
JADSON - Mesmo com a boa capacidade hídrica do Castanhão e de outros açudes da Região Metropolitana, a realidade é que Fortaleza já convive com o racionamento na prática. A cidade possui água bruta, mas mesmo assim vários bairros enfrentam falta d’água por conta de um sistema de abastecimento defasado que não suporta mais o crescimento populacional da cidade. Cerca de 500 mil moradores de Fortaleza vivem hoje em bairros que enfrentam graves problemas de deficiência de abastecimento d’água. Faltou planejamento e prioridade do Governo do Estado com o saneamento, pois as obras que podem ampliar a rede acontecem tardiamente e lentamente e a Cagece, até o momento, não apresentou nenhum plano de contingência, especialmente para hospitais e escolas que já tiveram que interromper seus serviços por falta d’água. Em relação ao Estado, temos uma reserva hídrica que em seca extrema protege algumas regiões com grandes açudes e desprotege muitas outras. Ou seja, falta distribuição regular da água armazenada e faltam também políticas eficientes de convivência com a estiagem. A seca é um processo climático natural do nosso Estado, por isso é preciso saber conviver com ela. Investir mais em agroecologia familiar e em educação permanente para o uso racional da água são algumas medidas preventivas que poderiam evitar danos tão graves provocados pela estiagem.

O POVO - Quais os principais fatores que afetam a qualidade da água cearense? A seca deve interferir na qualidade da água?
JADSON - Os reservatórios, quando escassos, ficam mais propícios à contaminação. Em Crateús, uma das cidades mais afetadas, temos notícias de que a água distribuída por carros-pipa tem provocado doenças em moradores de algumas comunidades, justamente porque está sendo retirada de reservatórios praticamente exauridos.

O POVO - O ano de 2013 foi nomeado Ano Internacional da Cooperação da Água. Que tipos de projetos vê como fundamental serem desenvolvidos atualmente para implementar a situação da água no estado? Há projetos de auxílio interestadual e intermunicipal nesse âmbito de cooperação da água?
JADSON - Vejo a universalização do saneamento como condição necessária para o Brasil e o Ceará conseguirem alcançar um patamar de desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Digo isto porque o saneamento tem interferência não apenas na saúde da população, mas também na qualidade da moradia, no meio ambiente, na geração de emprego e renda, no turismo e até mesmo na educação, tendo em vista que muitas crianças que vivem em áreas sem esgotamento têm menor aproveitamento escolar por conta de doenças contraídas pela deficiência de saneamento. Mas, infelizmente, falta ao Governo do Estado tratar o saneamento como prioridade. Vários fatos comprovam isso: Enfrentamos grave risco de racionamento em nosso Estado. Faltam trabalhadores na Cagece, que há onze anos espera por um concurso público. Vários bairros de Fortaleza e da Região Metropolitana enfrentam crise de desabastecimento. Fortaleza hoje é a 5ª capital com maior número de internações por doenças relacionadas a infecções intestinais contraídas pela falta de saneamento. A cobertura da rede de esgoto de Fortaleza cresceu irrisórios 2,28% nos últimos quatro anos. São dados que mostram como o saneamento foi deixado de lado em nosso Estado.

O POVO - Como analisa o potencial hídrico do Ceará em relação ao Brasil?
JASON - O potencial hídrico do Ceará - um Estado situado na região do semi-árido com seu território inserido no polígono das secas - é inferior ao dos estados das demais regiões do País. Para compensar este déficit do Ceará, implementou-se a política de açudagem e ampliaram-se as transposições de bacias que de forma integradas aumentam o potencial hídrico do Estado. Porém, mesmo assim, o Ceará continua vulnerável à escassez e a colapsos em anos seguidos de estiagem. Ainda somos dependentes das chuvas de forma direta.

O POVO - O processo de reuso da água tem sido viável para o Ceará? O reuso seria uma solução a longo prazo para problemas hídricos? Qual iniciativa encara como possível solução mais efetiva a longo prazo, e não apenas como medida paliativa?
JASON - A reutilização da água significaria maior preservação das fontes naturais, por isso é uma alternativa socioambiental que deveria ter mais atenção do poder público, especialmente nas regiões do semi-árido. O reuso deveria ser mais adotado na agricultura e pelas indústrias, porém carece ainda de maiores investimentos e pesquisas. Investir mais na agroecologia familiar, bem como em campanhas e em uma política permanente de educação para a convivência com o semi-árido nas escolas seriam outras medidas de longo prazo.
 

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