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 Notícias

24/03/2014

Dia da Água: confira entrevista do jornal O Povo com o coordenador geral do Sindiagua

Confira entrevista do coordenador geral do Sindiagua, Jadson Sarto, para o caderno especial "Águas", do jornal O POVO, publicado no Dia Internacional da Água.

1. No dia mundial da água, é comum falarmos do percentual de pessoas que nao têm acesso a água no mundo. Mas e aqui no Ceará e na capital,quais as estatisticas?
Os índices de cobertura no Ceará apontam que mais de 90% da população tem acesso a água encanada. Porém, isso não nos dá segurança hídrica. A água será sempre um bem escasso enquanto não soubermos distribuí-la de forma democrática e sustentável. Vivemos em um estado que está totalmente dentro da região do semiárido. Faltam, portanto, políticas que possibilitem, de forma preventiva, o convívio com a realidade da seca que é um fenômeno cíclico. A água dos nossos açudes, por exemplo, é mal distribuída. A bacia do Jaguaribe concentra em grandes açudes, aproximadamente 60% de toda água acumulada no Ceará. Vale destacar ainda que os setores do agronegócio são os mais beneficiados com nossas reservas hídricas. Já no que diz respeito ao esgotamento, os índices de cobertura são absolutamente vergonhosos: apenas 35% das moradias cearenses têm acesso ao sistema de esgoto sanitário (que funciona de forma totalmente obsoleta). É o Ceará do atraso. A falta de saneamento contribui para a manutenção da condição de miséria na qual vivem muitos cearenses. Contribui ainda para a poluição dos nossos rios, lagoas e solo. Importante ressaltar ainda que para cada um real investido em saneamento, o Estado economiza quatro reais com saúde pública. É preciso, portanto, tratar o saneamento público com prioridade.

2. O que precisa ser feito? Há alguma iniciativa/projeto em curso que deve ser tomado como exemplo?
A direção do Sindiagua tem defendido algumas ações de caráter emergencial, como, por exemplo, um programa de perfuração de poços profundos, que deveria funcionar de forma planejada, atendo prioritariamente as regiões mais críticas. Infelizmente o Governo do Estado, em pleno terceiro ano de estiagem, possui cerca de sete máquinas perfuratrizes para dar conta de uma demanda de mais de mil poços no interior do Estado. Falta também um diálogo com os movimentos e entidades que militam em defesa do direito à terra. É preciso ainda mais fiscalização nas obras públicas. A ineficiência do Governo do Estado permitiu que a adutora de Itapipoca fosse inaugurada com falhas gritantes o que resultou no rompimento, causando enorme prejuízo aos moradores daquela cidade. Por fim, o Sindiagua está dando início, neste mês, a uma campanha de uso consicente da água, algo que o Governo do Estado já deveria ter feito de forma preventiva antes mesmo da seca se estabelecer. A ideia é alertar para o desperdício que hábitos comuns no dia-a-dia podem provocar. Se o Governo do Estado assumisse, de fato, seu papel educativo, poderíamos estar numa situação um pouco melhor, mesmo com a seca. O Sindiagua está desenvolvendo essa campanha porque defender o acesso a água sempre foi uma bandeira histórica da entidade.
Por fim, o Governo do Estado deveria ter investido mais na estruturação da Cagece. O concurso público da Companhia – outra reivindicação do Sindiagua – atrasou muito e, das 945 vagas prometidas, apenas 315 foram preenchidas. Hoje a Cagece tem uma quantidade de empregados terceirizados três vezes maior que a de funcionários de carreira. O Governador prometeu igualar a proporção de concursados e terceirizados até o final de sua gestão. Temos cobrado isso, porque é inadmissível que, numa situação de seca, tenhamos a empresa responsável pelo serviço de água e esgoto numa situação de abandono, com dificuldades de mão de obra qualificada, prejudicando o atendimento à população, por falta de investimentos do Governo do Estado no capital humano. Os terceirizados trabalham em condições precárias, muitas vezes sem treinamento adequado. E os trabalhadores concursados também precisam ser mais valorizados.

3. Os governos preferem nao tocar no assunto "uso consciente" porque remete a população ao termo "racionamento"?
Não há como conviver com a seca sem aprendermos a cuidar da água. O consumo consciente é fundamental para, justamente, evitarmos no futuro uma situação de racionamento. No entanto, cabe ao poder publico oferecer as condições para ajudar a transformar a cultura do desperdício. Campanhas educativas nos meios de comunicação, programas de formação ambiental nas escolas, oferecer descontos nas contas para quem economizar são algumas medidas que poderiam ter sido tomadas pelo Governo do Estado.

4. Qual a situação atual do Ceará no que se refere ao potencial hídrico?
Os reservatórios do Estado do Ceará têm capacidade de armazenar cerca de 18 bilhões de metros cúbicos de água. Porém, hoje temos apenas seis bilhões de reserva. Destes seis bilhões, cerca de três bilhões estão somente no Castanhão. Cidades importantes como Crateús, Tauá e Canindé estão em uma situação bastante crítica, à beira de um colapso. Isso demonstra que falta uma política de distribuição da água.

Se preferir, acesse a entrevista diretamente do site do jornal O Povo no link http://digital.opovo.com.br/aguas/22/03/2014/p4?s=143

 

 

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