Campanha salarial: Sindiagua cobra maior valorização do trabalhador na proposta de Acordo Coletivo apresentada pela Cagece, sem reduções e retiradas de conquistas

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A direção do Sindiagua deve se reunir com o presidente da Cagece esta semana para uma nova rodada de negociação da campanha salarial 2025, conforme acertado na última reunião realizada no dia 16/07. O Sindicato vai cobrar e espera que haja avanços na reunião, tendo em vista que a proposta de acordo coletivo da empresa não só está aquém da expectativa da categoria, como traz ameaças de redução de conquistas alcançadas com muita luta.

Um dos pontos que a entidade pretende cobrar melhorias é no reajuste das cláusulas financeiras, especialmente no salário e no vale-alimentação. “Há alguns anos o poder de compra da categoria vem sendo corroído e a Cagece precisa reconhecer e oferecer uma proposta com um ganho real aceitável. Só repor a inflação não é o suficiente, no nosso entendimento”, avalia Jadson Sarto, presidente do Sindiagua. A entidade lamenta que a direção da Cagece e o Governo, que é do PT (Partido dos Trabalhadores), não estejam reconhecendo a necessidade de valorizar mais a categoria do setor de saneamento. Vale lembrar o Governo do Estado este ano deu 1% de ganho real no reajuste dos servidores estaduais, além da inflação. E que, ano passado, a Cagece ofereceu 2% de ganho real no vale-alimentação e este ano apenas 1%. A entidade defende que é preciso avançar na proposta de reajuste da categoria, até porque os números financeiros da Cagece, divulgados na imprensa por ela mesma, retratam um cenário financeiro favorável e o trabalhador é parte disso e merece ser valorizado.

Além das cláusulas financeiras, a direção do Sindiagua espera que a Cagece volte atrás em suas propostas de limitar as cláusulas do Reembolso de medicamentos de uso contínuo e da PR. A cláusula do Reembolso de Medicamentos foi conquistada na campanha salarial de 2009 e hoje o benefício não tem limite de ressarcimento. A Cagece propôs na negociação implantar um teto de R$1.400,00. O Sindiagua quando conseguiu trazer essa cláusula em 2009 para o ACT foi pensando na saúde e qualidade de vida do trabalhador(ar) e a Cagece, agora, vem na contramão dessa preocupação com a saúde da categoria. “Nos causou surpresa a direção da Cagece querer limitar o valor de um benefício tão importante para a categoria que está temerosa com essa proposta. É uma cláusula que diz respeito à saúde do trabalhador. Além disso, os reajustes dos medicamentos costumam ser sempre muito altos, acima da inflação, e se limitarmos o valor, com poucos anos corremos o risco de ter um benefício defasado do ponto de vista financeiro”, alerta Jadson. O Sindiagua lembra que limitar o valor do reembolso atinge principalmente os(as) trabalhadores(as) de mais idade – inclusive os(as) aposentados(as) que estão no PRSP, que serão prejudicados no momento que eles mais precisam do benefício – mas também afeta os mais jovens que por algum problema de saúde precisam usar remédios de uso contínuo. “E vai afetar os trabalhadores jovens que hoje não precisam tomar medicamentos, mas futuramente podem precisar”, ressalta Jadson.

Em relação à PR, a Cagece propôs mudanças na redação do texto da cláusula, entre elas um limite global equivalente a 130% da remuneração do empregado para pagamento da PR total, sendo 110% na PR Central e 20% na PR Acelerador. A direção do Sindiagua lembra que a PR é um reconhecimento ao trabalhador por ser o grande responsável pelo atingimento das metas anuais da empresa e, ao querer limitar, a Cagece só desvaloriza a categoria.

No entendimento do Sindicato, com essas propostas de colocar teto na PR e no Reembolso de medicamentos, a Cagece parece estar querendo implantar o modelo de gestão do setor privado que sempre quer limitar os benefícios do trabalhador. “Querer economizar em cima da saúde e do reconhecimento da categoria é lamentável. O Sindiagua entende que é preciso avançar na proposta de acordo coletivo e vamos lutar por isso na próxima reunião com o presidente da Cagece”, destaca Jadson.

Sobre a charge: adaptação de charge utilizada na internet por movimentos sindicais (ex.: Sinergi-BA)