Abastecimento

50

Envolvido em polêmica, o sistema pré-pago de acesso à água começa a funcionar no Brasil. Já atende cerca de 800 domicílios em Abadia de Góias(GO) e, até o fim do ano, funcionará em 10 mil casas de Palmas(TO) – hoje cem, testam o esquema. A Sabesp (empresa de saneamento de SP) também estuda a tecnologia, mas diz não ter ainda interesse de implantá-la pelos custos.

Os argumentos de entidades de defesa do consumidor e especialistas em saneamento, porém, são outros. ” A tecnoligia contribuirá para a universalização do saneamento, para melhorar a saúde pública ou apenas para aumentar a exclusão social?, questiona Luiz Morais Professor de engenharia ambiental da Universidade Federal da Bahia. A pergunta resume as preocupaçõpes do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que o levaram a discutir a tecnologia ontem(15.03), Dia do Consumidor.

A principal ressalva é uma das maiores vantagens apontadas pelo presidente da Saneatins (empresa privada de saneamento do Tocantins), Dorival Roriz Coelho: o fim da inadimplência. Os críticos temem que o sistema legitime o corte de água, bem essencial à saúde, por causa do não-pagamento, esquecendo a função social do saneamento. Aplicado no Reino Unido, o pré-pagamento foi banido depois que as desconexões da rede e os casos de disenteria aumentaram. Na África do Sul, os resultados também são negativos.

Segundo Coelho, outro importante benefício do sistema é a redução do consumo de água porque ” as pessoas só vão gastar o que podem pagar”. A economia no projeto-piloto de palmas ficou de 22%. ” É possível fazer economia sem condicioná-la ao pré-pagamento”, diz Marilena Lazzarini, diretora do Idec. O sistema funciona como o do celular.

 O consumidor compra cartões com créditos revertidos em água. No imóvel, a leitura é feita por um gerenciador de consumo, ligado a uma turbina, no lugar do hidrómetro. Quando faltam três dias para acabar os créditos, o gerenciador avisa. Se o usuário não tem dinheiro para um novo cartão, pode fazer um empréstimo de água no próprio aparelho – permitido uma vez por mês. A instalação do sistema custa R$ 90.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO