Quatro categorias param no Ceará

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Quatro categorias entraram em greve, ontem, no Ceará. O Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência Social no Estado do Ceará (Sinprece) informou que 80% dos servidores do INSS e 80% dos trabalhadores federais em saúde aderiram ao movimento. Cerca de 500 funcionários do Incra, entre aposentados e ativos, reivindicam reajuste salarial emergencial de 50,19%, além de plano de cargos e carreiras. Já os trabalhadores da construção civil querem aumento de 26%, o que elevaria o teto da categoria de R$ 277,00 para R$ 350,00.

Trabalhadores da construção civil, desde as primeiras horas da manhã de ontem, fizeram manifestações em frente aos canteiros de obras localizados na Aldeota e bairros vizinhos. O primeiro dia de greve da categoria foi marcado por passeatas pelas principais ruas da Aldeota. Na Praça Portugal, por volta do meio-dia, foi realizada uma assembléia com o objetivo de avaliar a paralisação. Raimundo Pereira de Castro (conhecido como Raimun José Leomar

Populares não conseguiram atendimento nos postos do INSS de Fortaleza dão), presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), disse que os trabalhadores reivindicam um reajuste salarial de 26%. O aumento elevaria o teto da categoria de R$ 277,00 para R$ 350,00. Os trabalhadores também solicitam benefícios como cesta básica e plano de saúde. Ele lembra que a data-base da categoria é 1º de março e ressalta que as solicitações são retroativas aquele mês. “Mas os patrões dizem que só negociam se os profissionais retirarem da pauta de reivindicação o item que limita a jornada de trabalho de segunda-feira a sexta-feira”, assegura Raimundão. Raimundão diz que a greve já é vitoriosa. “No primeiro dia de paralisação já tem muita gente na rua”, falava para os trabalhadores, ontem pela manhã, em frente a um canteiro de obras, localizado no cruzamento das ruas Deputado Moreira da Rocha e Carlos Vasconcelos. Eles saíram em passeata para a Praça Portugal. Mas sempre paravam em frente aos prédios em construção, solicitando o apoio dos profissionais. A manifestação era acompanhada pela Polícia Militar, que calculou em 300 o número de trabalhadores concentrados na praça. Conforme Roberto Sérgio Ferreira, vice-presidente de Relações Trabalhistas e Recursos do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Ce), os empresários querem negociar a implantação do banco de horas.

“Cria-se um banco de créditos e débitos. Ao final de 120 dias faz-se uma avaliação. Se ele (operário) tiver trabalhado além das oito horas da jornada diária, ele escolhe se quer receber as horas em dinheiro ou em folga”, explica. Caso o operário tenha trabalhado no sábado, receberá praticamente o dobro de folga ou hora extra com o valor quase dobrado, segundo o Sinduscon. Ferreira garante que se o trabalhador tiver débito, as horas não trabalhadas serão dispensadas. Ele disse que o reajuste só pode ser negociada depois da decisão da adoção do banco de horas. No entanto, garante que o limite do aumento a ser oferecido é “muito abaixo” do que é reivindicado pela categoria.

Ressalta que já foi instaurado o Dissídio Coletivo. De acordo com o vice-presidente, ontem três canteiros foram invadidos e depredados. “Gostaríamos que os trabalhadores não fossem coagidos a deixar de trabalhar”, ressaltou. Disse também que os patrões não irão pagar os dias de quem paralisou as atividades.

Fonte: Diário do Nordeste